Metade das terras cultiváveis da ilha de Madagascar pertencem a sabe quem? Coréia do Sul. Metade! O presidente de Madagascar - que por acaso é dono de uma mega empresa agroindustrial - foi lá e vendeu.
A batalha mais dura do século 21 vai ser travada no campo dos alimentos, segundo o
artigo de Ignacio Ramonet, que fala sobre a corrida para comprar terras cultiváveis mundo a fora.
Ao todo, oito milhões de hectares - mais ou menos o tamanho do estado de Santa Catarina - de terras férteis no planeta são propriedade de estrangeiros, pessoas físicas, empresas ou, pasme, governos.
A Coréia do Sul é a maior proprietária mundial de terras em solo estrangeiro, com 2,3 milhões de hectares. Em segundo lugar vem a China, com 2,03 milhões. E a China está em maus lençóis, porque tem apenas 7% da área cultivável para alimentar 20% da população do planeta. Faça as contas.
Outros grandes proprietários são a Arábia Saudita, Emirados Árabes - que têm petrodólares suficientes para compensar seus desertos - e Japão.
O maior proprietário empresarial de terras estrangeiras é a italiana Benetton - aquela das propagandas legais e polêmicas - com 900 mil ha na Patagônia para criar ovelhas.
No Brasil, mais de 4 milhões de ha estão na mão de estrangeiros (dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural), que compram propriedades rurais a um ritmo de 6 Mônacos por dia, segundo denunciou o portal
Ambiente Brasil.
Tudo isso sem contar os milionários que andam por aí comprando deserto em cima de lençol freático. Mentes muy altruístas, por supuesto.
Os investidores dizem que os alimentos são o ouro do futuro - estão falando do ano 2050.
Aí o homem primitivo precisava de comida. Depois - com o perdão da superficialidade, para os preciosistas - vieram civilizações, guerras, indústria, direitos humanos, tecnologia, qualidade de vida, e... comida, o ouro do futuro.
O mundo está prestes a assistir a um novo levante colonialista - Madagascar está lascada - pelas mesmas preocupações que consumiam o sono do Piteco.
Oh, dear...