domingo, 28 de junho de 2009

Buenas se recolhe

Ele já andava meio quietinho nos últimos dias, comigo na correria, mas agora é oficial: o Buenas e me espalho vai dar lugar temporariamente ao Denke ich, blog que criei para funcionar como diário de viagem enquanto estiver na Alemanha. Viajo amanhã às 14h e volto em novembro.

Aos que me lêem de vez quando por aqui, sejam bem vindos no novo sítio.

Auf Wiedersehen!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Revisão dos 10 mil

Hoje completo 10.000 dias de vida.

É um número e tanto...

Fui feliz na maior parte deles.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Passarinho verde

Aí hoje no centro adivinha que livro encontrei em promoção de R$ 39,90 por R$15,00 (!)? A menina que roubava livros. Livraria Conceito, no centro, Rua Jerônimo Coelho. Comprei - não, não roubei.

Zusak, Zusak, por que me cutucas...

Esses dias olhei para as três da tarde. Linda! No horizonte, azul pálido, meio esbranquiçado-esverdeado-acinzentado. Conforme subia, anil profundo.

As quatro da tarde deste proto-inverno são âmbar. Entra aquela luz oblíqua nas árvores e reveste a atmosfera de mel, como uma película de filme.

E o passarinho verde, você não viu?
Eu vi...

domingo, 31 de maio de 2009

As cores do dia

"As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim"
Era o que dizia na página 10 de A menina que roubava livros, de Markus Zusak.

Não li, só folheei lá na casa do meu avô. O romance se passa na Alemanha da Segunda Guerra e é narrado pela Morte.

Markus Zusak tem 34 anos e publicou seu primeiro livro aos 24.

Não sei o que têm as páginas, se o cheiro, o barulho ou a lufada de ar, que de vez em quando me fazem ter ideias.

Vou pensar mais a respeito.
E prestar atenção nas cores das outras horas do dia.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O perdedor radical

Minha rotina tem sido ler as notícias da Deutsche-Welle e conversar sobre elas todos os dias com meu professor de alemão. Geralmente são temas internacionais, ligados quase sempre a guerras, conflitos violentos ou ditaduras (descobri que sou mais feliz sem notícias, o que é complicado para uma jornalista). Aí todo dia vem lá Somália, Paquistão, Georgia, Coréia do Norte, Israel, Birmânia... e junto vem a trupe do "deixa disso" que na verdade financiou a lambança.

Enfim, aí esses dias meu professor me enviou um artigo bastante interessante que mostra a ligação psicológica entre terroristas, ditadores e adolescentes introspectivos que resolvem se matar e levar a metade da escola junto com eles.

Eles são o que o escritor alemão Hans Magnus Enzensberger chama de perdedores radicais. "A maneira como a humanidade se organizou - capitalismo, competição, império, globalização - não só faz o número de perdedores radicais aumentar todos os dias como amplia a segregação dos indivíduos, o que é comum em qualquer grande grupo. Em um processo caótico, o perdedor deve aceitar seu destino e se resignar, o derrotado deve se preparar para o próximo round. Mas o perdedor radical se isola, se torna invisível, sufoca suas desilusões, guarda energia e espera pela sua hora", diz um trecho do ensaio.

Não são casos isolados. Há uma ligação entre o adolescente americano de classe média, a gangue da favela, o homem-bomba e o ditador: o sentimento de rancor, vingança e impotência face a uma existência considerada por eles próprios miserável e sem valor. Até que nos minutos finais vem o poder sobre a vida e a morte, sua e de outras pessoas, a chance de ser lembrado, temido.

O resultado vai ser sempre o mesmo. O perdedor radical não está interessado em proteger seus aliados. A Jihad matou muito mais muçulmanos do que inimigos ao longo da História. A maior vítima da Coréia do Norte, com seus testes atômicos e sanções econômicas, é seu próprio povo.

A idéia não é vencer, é fazer o inimigo perder junto.
Ele é o dono da bola, e a única satisfação possível é acabar com o jogo.

Leia o artigo completo (em inglês)

sábado, 23 de maio de 2009

Distância entre países

Perdi um bom tempo pra conseguir descobrir a distância entre uma cidade no Brasil e outra na Europa, porque Google Maps e companhia só dão a distância de trechos que se podem percorrer por terra, uma naba.

Pois bem, encontrei o site World Airport Codes, que calcula a distância entre quaisquer aeroportos no mundo.

Bom proveito.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A queda

Assisti há pouco ao filme Der Untergang (que no Brasil foi batizado de "A queda! As últimas horas de Hitler" - mania de colocar uma frasezinha depois...), sobre os 12 últimos dias do Terceiro Reich. Fiquei bastante impressionada com a história contada sob o ponto de vista de membros do partido nazista. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005, Der Untergang gerou polêmica na Alemanha por quebrar alguns tabus: foi a primeira vez que um ator alemão interpretou o papel de Adolf Hitler.

Lançado em 2004, o filme é baseado nos livros do historiador Joachin Fest (A face do Terceiro Reich, 1962) e de Traudl Junge, que foi secretária particular de Hitler durante três anos e escreveu um diário que depois se tornou o livro "Bis zur letzten Stunde", lançado apenas em 2002 e publicado no Brasil pela Ediouro com o título "Até o fim".

Não se vêem judeus. Traudl Junge, que aparece velhinha no início e no final do filme dando entrevista (morreu em 2002, mesmo) conta que sequer sabia que existiam campos de concentração, o que mostra a total alienação da maioria dos civis nazistas.

E por ser baseado em relatos de testemunhas, é bastante chocante quando se ouvem frases de Hitler dizendo - quando a guerra já estava perdida - que não poupassem os civis alemães, que eram fracos e não mereciam compaixão. Ou as loucuras do "Führer" comandando batalhões imaginários, acreditando que ainda poderia vencer.

Gostei do filme. Nem propaganda dos Aliados, nem propaganda nazista, nem a eterna mea-culpa germânica. A mim pareceu franco. Recomendo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Colonialismo alimentar

Metade das terras cultiváveis da ilha de Madagascar pertencem a sabe quem? Coréia do Sul. Metade! O presidente de Madagascar - que por acaso é dono de uma mega empresa agroindustrial - foi lá e vendeu.

A batalha mais dura do século 21 vai ser travada no campo dos alimentos, segundo o artigo de Ignacio Ramonet, que fala sobre a corrida para comprar terras cultiváveis mundo a fora.

Ao todo, oito milhões de hectares - mais ou menos o tamanho do estado de Santa Catarina - de terras férteis no planeta são propriedade de estrangeiros, pessoas físicas, empresas ou, pasme, governos.

A Coréia do Sul é a maior proprietária mundial de terras em solo estrangeiro, com 2,3 milhões de hectares. Em segundo lugar vem a China, com 2,03 milhões. E a China está em maus lençóis, porque tem apenas 7% da área cultivável para alimentar 20% da população do planeta. Faça as contas.

Outros grandes proprietários são a Arábia Saudita, Emirados Árabes - que têm petrodólares suficientes para compensar seus desertos - e Japão.

O maior proprietário empresarial de terras estrangeiras é a italiana Benetton - aquela das propagandas legais e polêmicas - com 900 mil ha na Patagônia para criar ovelhas.

No Brasil, mais de 4 milhões de ha estão na mão de estrangeiros (dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural), que compram propriedades rurais a um ritmo de 6 Mônacos por dia, segundo denunciou o portal Ambiente Brasil.

Tudo isso sem contar os milionários que andam por aí comprando deserto em cima de lençol freático. Mentes muy altruístas, por supuesto.

Os investidores dizem que os alimentos são o ouro do futuro - estão falando do ano 2050.

Aí o homem primitivo precisava de comida. Depois - com o perdão da superficialidade, para os preciosistas - vieram civilizações, guerras, indústria, direitos humanos, tecnologia, qualidade de vida, e... comida, o ouro do futuro.

O mundo está prestes a assistir a um novo levante colonialista - Madagascar está lascada - pelas mesmas preocupações que consumiam o sono do Piteco.

Oh, dear...

domingo, 17 de maio de 2009

Me apaixonei

Perdida
e irremediavelmente
por um parapente.
(suspiro...)

sábado, 16 de maio de 2009

Me sinto criança com fogos de artifício.
Rio igual.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O mercado do efeito estufa

Voltei este mês a colaborar com a Agência Ambiente JÁ de notícias ambientais - meu primeiro emprego como estagiária e também como jornalista - de onde tinha saído em 2007. Dessa vez, no entanto, estou trabalhando como voluntária, já que a crise chegou também ao terceiro setor.

Na verdade é uma relação de protocooperação: eu traduzo matérias de jornais alemães para a agência e aproveito para estudar e me manter informada. Fiquei bem contente de voltar a trabalhar com jornalismo ambiental.

Aí esses dias por acaso li um artigo que se não fosse trágico, seria cômico: o crescimento das usinas de energia eólica está prejudicando o meio ambiente. Tudo obra do Protocolo de Kyoto - sobre o qual sempre tive minhas reservas...

O princípio é simples: de um lado, empresas que trabalham em atividades não-poluentes - como as usinas eólicas - podem vender créditos de carbono. De outro, empresas poluidoras podem comprar esses créditos para compensar os danos que causam ao meio ambiente. É como se comprassem uma permissão de poluir. A siderúrgica chega pra usina eólica e diz: "tó, toma aqui esses dólares e protege o ambiente por você e por mim".

Ok, um bom negócio para ambos.
Só que na Alemanha aconteceu uma coisa curiosa. Foram fazer as contas e concluíram que a contribuição dos cataventos para reduzir a emissão de gases do efeito estufa era nula. Zero. Bolinha.

Por quê? Lei básica de mercado.
Vender crédito de carbono se tornou um bom negócio, e muita gente começou a investir nisso. Com o tempo, a oferta de títulos se tornou maior do que a procura, e os créditos ficaram mais baratos.

Assim, com os mesmos X dólares, a empresa poluidora consegue comprar permissão para poluir mais. É claro que a culpa não é dos cataventos, o mercado de carbono é que precisa se ajustar para que os papéis não percam valor. O protocolo nem começou a funcionar direito - agora que o Obama começou a pensar no assunto - e já começaram os bugs.

Não é irônico que o mercado de rédeas soltas sempre leve a uma lambança?

Artigo original da revista Der Spiegel (em alemão).

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Impulsos de narradora

Eu costumava assistir a um seriadinho chamado "Men in trees", que passava no canal A&E e saiu do ar no ano passado antes de encerrar a segunda temporada, depois de uma greve de roteiristas, se não me engano.

A protagonista, Marin Frist, era escritora e consultora de relacionamentos, e tinha um programa diário na rádio da cidadezinha de Elmo, no Alasca. Aí eu lembro que no final de cada episódio ela aparecia como narradora fazendo alguma reflexão sobre a vida e o drama das personagens, e era tão, mas tão bobinho que eu a-do-ra-va.

Esses dias, quando voltei da minha curta temporada no Sul, me senti como a Marin, olhando tudo de cima e concluindo coisas que só se pensa quando se coloca a vida em perspectiva.

A primeira conclusão foi a de que o coração trabalha "em roam", e a única maneira de não levar os problemas na mala é resolvê-los. Em todo caso, uma boa trilha sonora é capaz de fazer milagres.

Eu colocaria na narração também que rever velhos amigos é como tirar folga do mundo para descansar num espaço em que tudo é familiar, acolhedor e pacífico. E que nada é mais nostálgico do que andar pelas ruas da infância e se comparar com versão anterior de si mesmo.

Não me incomodo que o tempo passe.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Tudo está bem quando acaba bem. =)

domingo, 3 de maio de 2009

Melhor não dizer nada

por enquanto.
Há olhos que leem as minhas entrelinhas.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Depois da chuva

E hoje...

...o arco-íris.

Rá!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Achei

A chuva caiu grossa
no abacateiro carregado.
Atrás dele, a árvore de folha miúda
sacudia com o vento.
Cheiro de terra. Outono estampado.
Barulho de vento e chuva.

Olhei pra fora
e tava lá a poesia.

Ufa.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

E eu que gostava tanto do outono

Olho pra fora e
o vento frio é só
frio.
A nuvem cinza é só
cinza.
E a folha seca é só
seca.

Cadê?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Despedidas

Amanheço hoje oficialmente desempregada.
Sexta-feira foi meu último dia na Revista Empreendedor. À noite fizemos happy hour de fechamento-despedida, e no fim, pra variar, chorei. Estava resistindo bem, mas a ficha caiu quando abracei o Vanin, meu editor. Depois de dois anos, não teremos mais reuniões de pauta, nem incomodação com o VoIP que não funciona, nem salinha de entrevista, nem vou encher o saco do Cabral pra recortar as fotos nas minhas matérias (o famoso 'flof'), nem mudar as cores de tudo quando a revista está pronta, nem pedir lanche no Filho da Fruta, nem...

Estou feliz pelas mudanças, pelo que vem de esperado e inesperado pela frente, afinal, como disse o Saramago, é sempre boa a liberdade, mesmo quando vamos para o desconhecido. Mas pensar em todas as coisas que não vão mais acontecer deixa o coração tão apertadinho.

São engraçadas as despedidas. Sábado fui almoçar com o Bruno Moreschi que curiosamente estava em Balneário Camboriú. Viajei 100 km só para nos vermos antes de eu ir para a Alemanha. Pelas nossas contas, já não nos víamos havia mais de um ano - eu vou passar só quatro meses fora do País.

Não é pelo tempo ou pela distância que nos despedimos.
É porque queremos ver mais uma vez a pessoa como a conhecemos, pois temos certeza de que quando a virmos novamente, ela já não será mais a mesma.

Deixa no rosto um meio sorriso olhar para o que se vai pra nunca mais, para o que permanece conosco e para o que ainda esta por nascer. Ah, vida...

sexta-feira, 27 de março de 2009

A hora do planeta

28/03/2009, 21h30



O movimento começou em Sidney, em 31/3/2007.
Em 2008 envolveu 35 países.

O Brasil vai participar pela primeira vez em 2009.
77 cidades, incluindo a minha - Florianópolis - aderiram.

Vou apagar as luzes.
Hoje ouvi alguém dizendo que o gesto significava pouco em relação ao aquecimento global.
Pode ser, mas pelo menos é a mostra de que cada um está disposto a apagar as suas próprias luzes para ajudar. Porque preservar no terreno - ou no país - dos outros é sempre mais fácil.

Hora do Planeta
8:30PM Saturday 28 March 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

O nome da guerra

A notícia de hoje:
O jornal The Guardian
diz ter provas concretas sobre
os crimes de guerra de Israel

Fiquei pensando, o que é mais
incongruente do que chamar
alguma coisa de "crime de guerra"?

Os engravatados olham a situação,
contam os corpos e definem
onde estão os crimes de guerra.

E o resto, chamamos de quê?